quinta-feira, 23 de julho de 2009

A Pedra do Reino

São José do Belmonte - A terra da pedra do Reino Distante 479 Km do Recife, São José do Belmonte tem como atrativo principal a Pedra do Reino, formação rochosa semelhante a duas torres, onde houve um dos mais importantes episódios sebastianistas do país. O acontecimento foi imortalizado pelo escritor Ariano Suassuna. Hoje, o local foi transformado no Ilumiara da Pedra do Reino, que mistura a vegetação nativa com grandes esculturas representando santos e personagens ligados à história sebastianista e ao romance “A Pedra do Reino”, de Suassuna. A cidade possui ainda o Memorial da Pedra do Reino, o casario antigo da praça central e a Igreja do Padroeiro São José. Em maio, acontece a cavalgada que é uma homenagem ao mito de Dom Sebastião, com cavaleiros enfileirados e de lança em punho aos pés da Pedra do Reino recordando o episódio do passado. O cenário é a Pedra do Reino, dois monólitos gigantescos e pontudos (um com 30 e outro com 33 metros de altura) perdidos na imensidão da Caatinga, a 30km da cidade. Este ano, um grupo de universitários de Direito participou do evento com a finalidade de realizar um estudo acadêmico sobre o tema. Felipe Falcão, Marcos Gian e Paulo Ernesto analisam a influência das lendas e das manifestações culturais do Nordeste na valoração da norma.De acordo com o estudo, os fatos sociais na região podem ser relacionados às manifestações da cultura que refletem o pensamento de um grupo, mesmo que a representação dos mesmos sejam por meio de lendas como a da Pedra do Reino. “O movimento sebastianista conta histórias de dominação, insatisfação, revolta e esperança. São fatos ligados estreitamente às condutas sociais e à criação das normas”, diz o analista da justiça federal e acadêmico do curso de Direito da Faculdade Paraíso, Felipe Falcão.
A festividade relembra o Sebastianismo, um movimento místico-secular que ocorreu em Portugal na segunda metade do século XVI como conseqüência da morte do rei D. Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir, em 1578. Por falta de herdeiros, o trono português terminou nas mãos do rei Filipe II da rama espanhola da casa de Habsburgo.Apesar do corpo do rei ter sido removido para Belém, o povo nunca aceitou o fato, divulgando a lenda de que o rei encontrava-se ainda vivo, apenas esperando o momento certo para voltar ao trono e afastar o domínio estrangeiro.
A festa da Pedra do Reino, segundo o escritor Ariano Suassuna, é um messianismo adaptado às condições lusas e à cultura nordestina do Brasil. Uma das inovações é a presença de vaqueiros na cavalgada.Traduz uma inconformidade com a situação política vigente e uma expectativa de salvação, ainda que miraculosa, através da ressurreição de um morto ilustre. Suassuna publicou o livro “O Romance da Pedra do Reino”, em 1971, obra que resgatou a história do episódio e inspirou o evento. Os preparativos mobilizam a cidade durante quase todo o ano. A condução de uma imagem de São Jorge, dá um toque místico ao acontecimento. “A população já percebeu que este é o caminho para resgatar o passado, recontando uma história marcante e sangrenta que ocorreu no século passado, na Serra do Catolé”, justifica a Associação Cultural Pedra do Reino, que coordenada o evento. Os figurantes confeccionam roupas especiais para o evento. As ruas também recebem decoração. As casas se transformam em pousadas. Na praça principal, acontecem os shows musicais. A Casa da Cultura e o Memorial Pedra do Reino, que ajudam a contar a história da festa e da cidade, ficam abertos para os visitantes.


Programação e cavalgada
Durante a programação, se apresentam violeiros, grupos de danças tradicionais, repentistas, bandas de pífanos, grupos de teatro e artistas da terra, além de diversas atrações musicais. É na tarde do sábado que os cavaleiros começam a entrar em cena.

A cavalhada — na qual o desafio consiste em acertar com uma lança a argola que está pendurada num ferro — reúne 24 deles, representando os 12 pares de França. Os cavaleiros trajam roupas azuis e encarnadas, como também os cordões de pastoril.O momento principal da programação é marcado pela cavalgada. Na madrugada do domingo, os cavaleiros voltam à praça da cidade. Começam a chegar antes do nascer do sol, por volta das 4 horas. Centenas deles. Na alvorada, fogos de artifício e tiros de bacamarteiros. Homens e também algumas mulheres recebem a benção do padre de São José do Belmonte antes de iniciar a cavalgada.Muita gente acorda cedo para assistir ao ritual sertanejo. Os cavaleiros levam cerca de seis horas para percorrer os 30 quilômetros entre o centro da cidade e as pedras da Serra do Catolé. Há uma parada para o café da manhã.No sítio histórico, onde estão localizadas as Pedras do Reino, há mais espaço para celebração, menos para festas. Durante a missa campal, um coral de vozes sertanejas alterna músicas religiosas com a Cantiga de D. Sebastião.

SAIBA MAIS: SebastianismoOs acontecimentos que inspiraram a criação da Cavalgada de São José do Belmonte não foram só ficção. Eles ocorreram na vida real em 1838. O beato João Antônio dos Santos iniciou o culto do Sebastianismo no sertão de Pernambuco. Ele garantia ter sonhado com Dom Sebastião, rei de Portugal, que desapareceu durante a batalha do Alcácer-Quibir, entre mouros e portugueses. Segundo João, o rei aparecia no seu sonho dizendo que ressuscitariapara instalar um reino de justiça, liberdade e prosperidade. Dizia ainda que, para o rei desencantar, era preciso lavar com sangue as duas enormes pedras da Serra do Catolé.

O Movimento Sebastianista foi retomado pelo cunhado de Antônio, João Ferreira. Ele conseguiu levar milhares de fiéis para a Serra. Afirmando ser o enviado de D. Sebastião, João determinou o sacrifício de 80 pessoas, que foram lançadas do alto da pedra.
Antônio Vicelmo
Repórter

Um comentário:

  1. GOSTEI MUITO DO SEU BLOG, JA ESTOU SEGUINDO UM FORTE ABRAÇO DE TODOS QUE FAZER A RADIO RAIZES DO NORDESTE, 24 HORAS IRRADIANDO A CULTURA NORDESTINA.

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