segunda-feira, 28 de maio de 2012

Sertão Central | Coco, forró, samba e chuva


Show do Quinteto Violado (Foto: Costa Neto)
Por Cirlene Leite
O Palco Nação Cultural montado dentro do Estádio O Carvalhão, em Belmonte, foi o espaço dedicado à multiculturalidade nesta sexta-feira (25/5), no Festival Pernambuco Nação Cultural – Sertão Central. Começou pelo coco, passou pela MPB, o forró e terminou com samba.
O tradicional coco do Raízes de Arcoverde abriu o leque e deu passagem para Anchieta Dali, a segunda atração do noite. O show é um passeio pelos sucessos de Elba Ramalho, Flavio José, Alcymar Monteiro, Maciel Melo e tantos outros que gravaram suas músicas, as mesmas que também fazem parte dos seus sete CDs e dois DVDs produzidos ao longo da sua carreira. Anchieta Dali é natural de Belém de São Francisco, foi criado em Tacaratu e atualmente mora em Belmonte. Fincou raízes no Sertão pernambucano, tanto na geografia, quanto na música. Tudo lembra o dia a dia da região, daí o seu sucesso. “Sou mais reconhecido como compositor, mas me considero os três juntos: poeta, cantor e compositor”, orgulha-se.
Quando o Quinteto Violado sobe ao palco, o público já é bem maior. Bom para seu Natalício Monteiro da Silva, dono de uma barraquinha de balas, chicletes e chocolates próxima à entrada do estádio. “Quando tem festa em Belmonte, a gente vende mais, tira um dinheirinho bom”. Quem também contabiliza os lucros é o vendedor de pulseiras, brincos e anéis artesanais, Jozinaldo Martins. “A noite começou devagar, mas foi melhorando e agora tá dando pra vender mais”. Mas são as barracas de comidas e bebidas que fazem, literalmente, a festa em dia de festa em Belmonte. “Eu tenho muitas amizades aqui, por isso que a minha barraca é a mais animada”, explica Rafael Gomes da Barraca Mouros x Cristãos. O nome faz uma alusão à comemoração dos 20 anos da Cavalgada à Pedra do Reino, que acontece amanhã (27/5) e movimenta a cidade sertaneja.
O sucesso nos negócios certamente se deve muito à qualidade dos shows apresentados na noite. O Quinteto Violado trouxe para Belmonte uma coletânea de sucessos da consagrada carreira e fez o público dançar e cantar de “Disparada”, eternizada na voz de Jair Rodrigues, até “Assum preto”, de Luiz Gonzaga. Outras não menos famosas do Rei do Baião também estiveram no set list. Tudo isso com arranjos diferenciados, marca registrada do grupo.
E para encerrar a noitada, chegou Gerlane Lops e o samba tomou conta do palco e do público, mesmo debaixo de forte chuva, que veio molhar a terra dos sertanejos junto ao festival. “Pra gente é um desafio apresentar o samba em pleno Sertão de forrós e cantorias. É muito bom poder contar com o FPNC para divulgar o DVD ‘Da Branca’ também no interior do estado”. E acrescentou: “Vamos surpreender o público com uma mistura de samba e forró”, finalizou. Bastaram alguns minutos no palco para que o talento de Gerlane Lops caísse nas graças dos belmontenses, com muito samba no pé.

Gerlane Lops fechou a noite de ontem (Foto: Costa Neto)

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