segunda-feira, 28 de maio de 2012

Sertão Central | Peleja da poesia em Belmonte


Mesa de Glosas em São José do Belmonte (Foto: Costa Neto)
Por Tiago Montenegro
Para espantar o nervosismo, até de reza e sinal da cruz valeram-se os poetas do Pajeú que nessa sexta-feira (25/5) chegaram a São José do Belmonte para realizar a terceira edição da Mesa de Glosas itinerante, uma ação do Festival Pernambuco Nação Cultural no Sertão Central.
Mesmo após 16 anos transformando em momento solene a brincadeira surgida nos bares do município de Tabira, os artistas do improviso assumem: “Não é fácil encarar uma plateia cheia de expectativas. Como o tempo é curto pra gente criar e decorar os versos, só com muita fé mesmo”, sorri Dudu Moraes, um dos integrantes da mesa.
Ainda pouco conhecida em outras regiões do Estado, a Mesa de Glosas já é tradição no Sertão do Pajeú e, nas palavras de Dedé Monteiro, um dos idealizadores do encontro, “funciona como um desafio aos poetas participantes, que devem criar suas glosas no menor tempo possível e em cima de motes (os dois versos finais da glosa) que são apresentados aos poetas”. Sob os olhares atentos de um público em silêncio e já encantado com os diferentes processos criativos de cada artista, poeta a poeta levanta e, ora confiante, ora ainda buscando aquela rima difícil de atingir, declama os versos, arranca palmas, enche de alegria o lugar.
Poeta Kerlle Magalhães (Foto: Costa Neto)
A noite da literatura em Belmonte ocupou o salão do Castelo Armorial e contou ainda com um recital dos poetas Keyson Pires, Henrique Brandão, Vitória Gabrielle, Cícero Belmonte, Maviael Melo, Kerlle Magalhães, Zé de Mariano e Marcos Passos, que prestaram homenagens ao escritor José Batista de Siqueira (Cancão). Em 2012, o nosso “pássaro poeta” completaria 100 anos.
Confira algumas glosas surgidas no encontro desta sexta-feira, que reuniu em São José do Belmonte os poetas sertanejos Dedé Monteiro, Genildo Santana, Dudu Moraes, Caio Menezes, Adeval Soares, Clécio Rimas, Gonga Monteiro, Zé Adalberto e George Alves:
“Ela diz que me amou
Mas nisso eu não acredito
Não acho nada bonito
A cena do nosso show
Depois que ela me deixou
Eu vivo assim de dar dó
Ela não perde um forró
E eu fico em casa esquecido
Um coração dividido
Na multidão segue só”
(Zé Adalberto)

“A gente se emociona
Querendo e buscando o mote
Amor faz de si transporte
Não pode andar de carona
E quando a emoção é dona
O coração dá um nó
Mas amor é pão de ló
Precisa ser repartido
Um coração divido
Na multidão segue só”
(Genildo Santana)

“Nesse reduto bonito
Voltei a unir as pontes
De São José do Belmonte
E São José do Egito
Quem dorme com o infinito
Sonha com a poesia
Tomara que essa alegria
Tenha batido em vocês
Bateu em nós outra vez
Adeus, até outro dia”
(Caio Menezes)

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